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O último capítulo de 'GoT' foi meio morno...

Análise: O último capítulo de 'GoT' foi meio morno, com jeitão de telenovela

Data: 21/05/2019 Fonte: ESTADÃO CONTEÚDO

Mesmo assim, a série 'Game of Thrones', que terminou no domingo, 20, está no panteão dos sucessos imensos

Bom... terminou, quase 80 episódios e oito anos de trama viciante. Game of Thrones está no panteão dos sucessos imensos, das tramas cheias de mensagens e citações, envolvente desde a primeira vez que se ouviu aquela trilha sonora, nos idos de 2011, milionária em todas as medidas. Mas, quer saber? O último capítulo foi meio morno. Jeitão de telenovela.

Claro, teve o assassinato da rainha Daenerys pelo galã e príncipe, Jon Snow, preocupado em deter a loucura finalmente exposta da namorada, amante, tia e líder messiânica de um exército eficientíssimo, equipado com um arsenal nuclear – ou o que mais seriam os dragões Drogon, Viserium e Rhaegal? Mantendo a ruptura com os padrões da indústria do cinema ou da teledramaturgia – pelos quais os personagens crescem na história e vivem na medida de sua popularidade –, os roteiristas poderiam ter aplicado um direto no fígado da audiência fazendo de Cersei Lannister, a vilã sem caráter, a vencedora do conflito.

Aquela reunião dos lordes dos seis reinos, o momento em que Bran, o Quebrado, vira super-bacana, seria muito, muito diferente. Talvez Jaime tivesse sobrevivido à batalha. Mas o anão Tyrion, o general Verme Cinzento, e talvez mais um ou dois, certamente não estariam lá. Sam, boa cabeça, não teria apresentado ali sua proposta de uma escolha democrática do novo soberano. E Jon poderia fazer mais um exercício de sofrimento existencial, reverenciando a nova Grandeza Suprema de Westeros, um título que o autor dos livros, George R.R. Martin, diz que gostaria de ter atribuído ao ganhador de GoT.

 

Cena do último episódio da última temporada de 'Game of Thrones' divulgada pela HBO. Foto: HBO / Divulgação

Outra opção alternativa, a pequena guerreira Arya, brava desde o início de tudo – espadachim aos 11 anos, apátrida, paranormal, justiceira, cega que voltou a enxergar, e capaz de matar o Rei da Noite. Baita currículo para uma rainha. Alguém estranhou a ideia?

Aposta em que as forças do bem sempre vencem? Por favor, dê uma olhada ao redor, no mundo. Sim, há vilões no poder. Na prática, resta saber o que vem por aí para consolar os órfãos de Game... A HBO está trabalhando em filhotes que não serão sequências. As aventuras de Arya nos mares do lado oeste. A nação de gelo que Snow vai criar além da Muralha. A comunidade de força pelo conhecimento que Sam pretende para Monte Chifre. E Drogon, claro. Altas possibilidades para o dragão sumido. A sociedade marcial dos Imaculados de Verme Cinzento. Só aí, a aventura rola até 2029.

O preguiçoso Martin promete o novo livro (um, não mais dois, como previsto) até o fim do ano. Terá um desfecho igual ao da série porém atingido por meios diferentes. George está devendo aos fiéis esse volume de encerramento há uns três ou quatro anos. Escreve devagar, coisa de 15 a 30 linhas de cada vez. O primeiro volume da saga saiu nos anos 60. Todos os cinco já lançados são tijolões. O terceiro tem mais de mil páginas. Pode ser uma longa espera.

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