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Poke: prato que nadou do Havaí até o Brasil.

O que é poke, prato que nadou do Havaí até o Brasil

Data: 28/09/2018 Fonte: Exame

Muitos empreendedores que apostam em trazer uma nova gastronomia à sua cidade, esperam repetir a recente explosão da comida japonesa. No caminho, boa parte desses negócios foi relegada ao esquecimento, do frozen yogurt às paleterias. Mas, agora, o plano é apostar em um primo dos temakis e sushis: o poke, prato típico do Havaí que mistura cubos de peixe fresco com arroz estilo gohan, molho de soja, castanhas e até frutas. Em poucos anos de desenvolvimento da culinária havaiana em terras brasileiras, já se veem diversos tipos de negócios: há aqueles que querem tentar preservar ao máximo a culinária havaiana até os que apostam no elemento de fusão, conquistando os brasileiros por meio de conceitos próximos a eles.

No Havaí, a comida é uma forma de experimentar a vida: suas músicas tradicionais falam da abundância de alimentos que o Oceano Pacífico deixa nas margens do arquipélago, enquanto seus pratos prezam pelo frescor dos ingredientes e seu manuseio livre, muitas vezes usando os dedos. Ao longo de sua história, o estado americano recebeu influências gastronômicas de diversos países, da Polinésia ao Japão, passando pela Europa e pelos próprios Estados Unidos.

Atualmente, um prato de fusão nadou para fora das águas do arquipélago e ganhou projeção mundial, incluindo sua chegada em terras brasileira: o poke. O poke, em sua essência, é uma espécie de convite de Honolulu para Tóquio, como conta a obra “A comida do paraíso: explorando a herança culinária do Havaí”, da historiadora Rachel Landan. Como base, ambos possuem o apreço pelo gosto adocicado do peixe fresco – algo compartilhado com o ceviche peruano.

A palavra “poke” significa nada mais que “pequeno pedaço”. É a base do prato: cubinhos de peixe cru, do tamanho da ponta de um dedo, temperados com sal. Diferente da obsessão japonesa com os cortes precisos dos sashimi e a dosagem adequada de molho de soja e wasabi, no poke há a preferência pela naturalidade: pedaços rústicos são jogados em um pote, conhecido como bowl, acompanhados de alga marinha cortada e castanhas locais assadas.

A influência japonesa traria depois novos ingredientes, como o arroz gohan, óleo de gergelim, cebolinha e a preferência por peixes de águas profundas, como atum e salmão. O poke produzido após tal fusão navegou pela costa oeste dos Estados Unidos e chegou a estados como Califórnia, onde foi considerado por muitos a comida dos últimos verões. Segundo dados da rede social Foursquare coletados pelo veículo especializado Eater, o número de restaurantes havaianos nos Estados Unidos quase quadruplicou entre 2011 e 2016: no último ano, eram 679 restaurantes incluídos na plataforma.

Não faltam chefs que expressam suas preocupações com a expansão da culinária havaiana. Mark Noguchi é um deles: fundador do Pili Group, fundação que explora a conexão entre comunidade, educação e gastronomia, o havaiano ressaltou suas preocupações culturais e ambientais ao assinar um artigo. “A tendência do poke coloca a culinária havaiana no holofote, e isso é positivo. Ela merece atenção. Mas vê-la ser pressionada a sair das ilhas me deixa dividido, porque comida é algo muito pessoal para os havaianos”, escreve Noguchi.

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