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Espasmo na coluna é semelhante ao famoso mau jeito

Espasmo na coluna de Marcelo foi semelhante ao famoso 'mau jeito'

Data: 28/06/2018

O famoso "mau jeito" pode ter sido o motivo pelo qual Marcelo, lateral-esquerdo da Seleção, deixou o campo no início do jogo do Brasil contra a Sérvia nesta quarta-feira (27). O nosso camisa 12 apresentava claros sinais de dor aguda -- como bem demonstra a imagem acima -- mas a recuperação deve ser rápida, avalia ortopedista.

De modo geral, a depender do "mau jeito", doi muito e assusta, mas não há motivo para grandes preocupações em uma pessoa sem uma doença prévia. Essa é a avaliação de Ricardo Munir Nahas, médico do esporte, ortopedista e chefe do Centro de Medicina do Esporte do Hospital 9 de Julho (SP).

"É uma especulação, mas conhecendo quem está lá, e o fato de ter sido no início do jogo, ele deve ser recuperar bem" -- Ricardo Munir Nahas.

Quando Marcelo deixou o campo, a CBF divulgou tratar-se de um "espasmo na coluna", uma contração involuntária do músculo.

O ortopedista explica que, pela característica do espasmo, o evento se assemelha ao famoso "mau jeito" -- condição comum em áreas muito acionadas para o movimento, como as regiões do pescoço e da lombar.

Com o tratamento adequado, explica Nahas, a recuperação total começa a ocorrer em dois dias. De fato, Marcelo disse que "em pouco tempo estará de volta" em tuíte em que comemorou a vitória contra a Sérvia na quarta-feira (27).

 

Por que o mau jeito ocorre?

No "mau jeito", explica Nahas, o músculo se contrai para proteger a articulação. "É um aviso para que o movimento seja interrompido. Não dá mais para se mexer, não dá para jogar. É aí que as pessoas mancam, não conseguem mais rotacionar a coluna, etc.."

O mau jeito pode ocorrer, segundo o especialista, em situações em que o cérebro envia dois comandos simultâneos e contraditórios ao músculo em um curto espaço de tempo -- como se fosse uma espécie de "bug" entre cérebro e músculo. Nesse tipo de mau jeito, o caso pode ser mais grave, com o rompimento do músculo.

O ortopedista Ricardo Munir Nahas exemplifica a situação:

"Suponhamos que você ia chutar a bola, mas chega alguém e corta. O cérebro, então, muda o comando e você desiste de chutar."

"São duas ordens quase simultâneas: 'chuta e não chuta'. Essa contradição faz com quê o músculo não fique alinhado à ordem. Isso pode dar o famoso mau jeito e travar tudo."

 

Medicamentos controlam a dor, mas repouso é necessário

Não há muito como evitar esse tipo de espasmo, que pode ocorrer com qualquer um. "A não ser que ele ocorra repetidamente. No caso de um escritório, por exemplo, é preciso analisar o mobiliário", diz.

O tratamento é feito com o controle da dor: relaxante muscular, analgésico ou anti-inflamatório aliviam o desconforto imediato -- como foi feito com o Marcelo assim que a dor surgiu.

"O controle da dor, no entanto, deve ser aliado a um período mínimo de repouso para que o espasmo não vire uma lesão", conclui o especialista.

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