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Contato com micróbios pode prevenir leucemia.

Contato com micróbios pode prevenir leucemia infantil.

Data: 01/06/2018

Crianças expostas a infecções comuns no primeiro ano de vida teriam menor chance de desenvolver leucemia do que aquelas criadas em um ambiente ultra-limpo, segundo pesquisa

A leucemia linfóide aguda (LLA) é o câncer mais comum da infância, caracterizado pela produção anormal de células sanguíneas na medula óssea. Ele costuma se manifestar entre os 3 e 5 anos de idade, e a boa notícia é que em 90% dos casos a cura é alcançada com o atual tratamento. Mas uma dúvida ainda incomoda a comunidade médica: como crianças, até então saudáveis, desenvolvem leucemia? Esse é um câncer evitável?

Um novo estudo do Instituto de Pesquisa do Câncer, em Londres, na Inglaterra, que compilou mais de 30 anos de pesquisa ao redor do mundo, sustenta a hipótese de que a doença seria causada por uma mutação genética, seguida de uma exposição tardia a infecções. Uma das evidências para atrelar a leucemia ao funcionamento do sistema imunológico é a menor taxa da doença em crianças que frequentam creches e que nascem de parto normal em vez de cesárea (a cirurgia transfere menos micróbios ao bebê).

Sendo assim, as crianças expostas a infecções comuns no primeiro ano de vida teriam menor chance de desenvolver LLA do que aquelas mantidas em um ambiente ultralimpo e sem germes, infectadas tardiamente quando em contato com o exterior. “A implicação mais importante é que a maioria dos casos de leucemia infantil é passível de prevenção. Isso pode ser feito da mesma forma que para doenças autoimunes e alergias - talvez com intervenções simples e seguras para expor os bebês a uma variedade de antígenos comuns e inofensivos”, afirma Mel Greaves, autor do estudo.

Flávio Luisi, oncologista pediátrico do GRAACC (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer), vê certo sentido na teoria. “Essa não é uma hipótese nova. Em 1960, por exemplo, quando oito crianças da mesma escola em Chicago tiveram leucemia, já se levantava a possibilidade de uma causa infecciosa”, destaca. “Isso justificaria porque a leucemia geralmente ocorre em primogênitos, menos expostos pelos pais a microorganismos", lembra.

Apesar de considerar o mau desenvolvimento do sistema imunológico um desencadeador plausível da leucemia, o especialista destaca um equívoco em afirmar que essa é a razão das menores taxas de leucemia nos países subdesenvolvidos. “Essas crianças têm mais contato com infecções, menos vacinas e, até por isso, o índice de mortalidade infantil é muito alto. A criança realmente não chega a desenvolver leucemia, porque morre antes. Agora em um país desenvolvido, onde a criança não morre de desnutrição, de pneumonia, de infecção, obviamente a morte por leucemia parece mais alarmante”, compara.

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