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Mulherões do fisiculturismo no Estado, Claudete e Susan são casadas há dois anos

Data: 22/05/2017 Fonte: Lado B - CG News

Arquivo pessoal

Claudete e Susan: mulheres, atletas e casadas. Fora das academias, os olhares que caem sobre elas são de espanto e nem é pela relação homossexual. O tamanho delas é de deixar muita gente boquiaberta. Fisiculturistas há anos, ninguém peita as duas ao vivo, e o preconceito, quando vem, é escondido atrás das redes sociais.

Foi durante um jantar no último sábado, nas Moreninhas III, que elas conversaram sobre o casamento e o esporte. Susan cozinhava macarrão integral e frango, praticamente o que elas mais comem juntas, depois de um dia todo de treino de Claudete.

As duas se conheceram em 2014, durante uma competição de Claudete em Ribeirão Preto, no Estado de São Paulo. Atleta há sete anos, Claudete é um dos maiores nomes do fisiculturismo em Mato Grosso do Sul. Além de competir, também é responsável por, como personal trainer, treinar pesado quem um dia quer chegar onde ela chegou.

Uma das competições de fisiculturismo de Susan. (Foto: Arquivo Pessoal)

"Eu conhecia um amigo dela lá em São Paulo e perguntei se ele não tinha alguém que pudesse me ajudar, porque é ruim você sozinha, porque eu preciso de pintura", conta Claudete Santana da Silva.

Mais tarde, Susan a confidenciou que já acompanhava o trabalho de Claudete pelas redes sociais. "Eu já treinava, mas não era atleta ainda", fala a psicóloga Susan Rustiguel. Nos dias que antecederam a competição, Susan não só deu suporte para fazer o bronzeamento em Claudete - técnica aplicada para destacar a musculatura - como também preparou as refeições.

Solteira há cinco anos, Claudete nunca tinha tido um relacionamento com uma mulher. A intimidade das duas se restringiu ao profissionalismo e nada aconteceu além do auxílio pré-competição.

"Chegou no horário de competir, ela foi assistir e me mandava mensagem de otimismo, mas, até aí, tudo tranquilo e normal", lembra Claudete.

Depois da disputa, Claudete, que ficaria 5h esperando o ônibus para retornar a Campo Grande, aceitou o convite da nova amiga para fazer hora na casa dela. "Aí a gente se conheceu um pouco mais, ela falou que tinha namorado algumas meninas. E a forma como ela falava que tratava as namoradas era como eu queria ser tratada", recorda Claudete.

Quatro dias foram suficientes para a atleta perceber algo diferente. Na ida para a rodoviária, antes de entrar no ônibus, Claudete mandou uma mensagem dizendo que tinha se sentido atraída por Susan. Como resposta, Susan disse que não só também estava assim como iria ao encontro dela. "E ela foi do jeito que estava, os caras não queriam deixar ela passar na catraca, ela pulou, veio correndo na minha direção e me deu um beijo", narra.

O ônibus já estava para sair e até onde o sinal alcançou, as duas trocaram mensagens e prometeram que se veriam em um mês. Dito e feito. O namoro começou em setembro, passados 30 dias da competição, e a relação a distância foi até março.

"Eu tinha uma competição e ela veio me ajudar. A gente viajou para competir em Natal e lá eu disse que não queria ficar namorando a 1000 quilômetros de distância. Eu perguntei: 'você quer namorar comigo? Quer casar comigo?' Ela falou que sim", conta Claudete. E a partir daquele dia, elas se consideraram casadas.

Produzidas para festa. (Foto: Arquivo Pessoal)

As duas não competem juntas por estarem em categorias distintas, mas seguem a mesma rotina de treino e alimentação. Claudete evita mais gordura, Susan foge dos carboidratos e juntas elas ainda criam o filho de Claudete, João Pedro, de 11 anos.

"O preconceito só chega até a gente na rede social, pessoalmente não. Só se for velado, mas a gente não percebe e também não fica perdendo tempo com isso", descreve Claudete. Os olhares das pessoas, elas garantem que são mais em cima do porte físico do que da orientação sexual.

"Eu acredito que seja pelo corpo. Se as pessoas não nos enxergam como família ou como casal, elas respeitam pelo que a gente é, pela influência da Claudete", acredita Susan.

O maior receio da atleta era de sofrer principalmente dentro da família. "Eu tinha medo, viúva, separada e que só tinha tido relação hétero", admite Claudete. O que não só não aconteceu, como o filho recebeu com muito carinho Susan em casa.

Dia desses, em comemoração ao aniversário dela, o menino conversou com os garçons do restaurante onde estavam e armou uma surpresa. "Ele perguntou: 'Terminou Susan?' Aí eu disse: 'esse menino está aprontando' e não deu outra. Chegaram os garçons com uma sobremesa e as velinhas cantando parabéns", se orgulha a mãe.

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