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'Perito' que fez laudo para defender Temer usou programa amador

Data: 22/05/2017 Fonte: Midiamax

O perito citado pelo presidente Michel Temer durante pronunciamento no sábado (20) utilizou equipamento amador para fornecer laudo, no qual afirmou haver pelo menos 53 edições em áudio entregue como prova por Joesley Batista, da JBS, segundo trouxe reportagem do programa Fantástico, da TV Globo.

De acordo com o Fantástico, o perito Ricardo Caires dos Santos é, na verdade, bacharel em direito e corretor de imóveis e conhecido por sua participação em programas sensacionalistas. O Fantástico cita que, procurado pelo jornal 'O Globo', Ricardo alegou que seu trabalho é apenas inicial e que qualquer conclusão depende de uma outra perícia.

 

Ricardo também negou que o áudio da conversa tenha 50 pontos de edição, como apontado pelo jornal 'Folha de S. Paulo' - segundo o perito, são apenas 14 pontos de edição, entre 15 e 20 pontos de corte e diversos trechos de ruído. Todavia, ele afirmou que não tem condições de apontar onde estão os pontos de edição.

 

O perito disse, ainda, que o objetivo de seu trabalho era apenas que outro profissional fizesse a perícia e que recorreu a um tocador de mídia, o programa Audacity, uma ferramenta gratuita para edições de áudio caseiras, e o software Vegas Pro 10, ferramenta profissional para edição de vídeo - embora a fita tenha apenas áudio e não imagens - softwares amadores, de acordo com 'O Globo', que não garantem exatidão do laudo defendido pela Folha de S. Paulo.

Credibilidade em xeque

A reportagem do Fantástico traz, ainda, que a matéria do jornal 'O Globo' destaca no laudo da perícia uma série de erros na transcrição da conversa: a presidente do BNDES Maria Sílvia Bastos foi confundida com Marina Silva. A CVM, Comissão de Valores Mobiliários, foi transcrita como CDN.

Na conclusão, o perito cometeu erros de português. Escreve: "para melhor identificação está marcados os pontos em vermelho e amarelo", quando deveria dizer “estão” marcados. Diz ainda e "o objeto "áudio" está eivados de vícios". No lugar de “está eivado”, o que demostra que o perito não tem o domínio da língua portuguesa.

O perito defendeu ainda que os trechos editados teriam reduzido o tempo total de conversa de 50 minutos para 38 minutos. A reportagem do Globo alerta que ele não considerou a gravação feita enquanto Joesley estava no carro, antes e depois de entrar no Palácio do Jaburu.

Procurada pela reportagem, a Folha de S. Paulo informou que contratou o perito e posteriormente o entrevistou para a produção de reportagem. Tanto no laudo produzido como na entrevista, Santos afirma textualmente que a gravação sofreu 53 edições. "Em nome da transparência, marca de seu jornalismo, a Folha voltará ao profissional para que ele esclareça o teor das declarações dadas a 'O Globo', a quem Santos ofereceu outra conclusão. Santos é perito judicial e já fez análises para diversos órgãos de imprensa."

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