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Santos supera clichês da Libertadores

Santos supera clichês da Libertadores em classificação histórica

Data: 18/05/2017 Fonte: Globoesporte

ocê, leitor, já sabe o fim da história: o Santos foi a La Paz, cidade onde é preciso caçar oxigênio para subir meia dúzia de degraus, teve um jogador expulso com 22 minutos de jogo, viu o rival abrir o placar, buscou um empate improvável e desceu a montanha classificado para as oitavas de final da Libertadores. Deu tudo certo no 1 a 1 diante do The Strongest, na última quarta-feira.

O caminho foi mais tortuoso, porém, do que aqueles que se vê do avião na chegada à capital boliviana. Deu tudo certo, mas quase deu tudo errado.

O Peixe chegou a La Paz por volta das 15h locais (16h de Brasília), cerca de três horas antes da partida – estratégia comum aos clubes que desafiam a altitude. O ônibus da delegação já esperava pelo elenco na pista, cercado de militares do exército boliviano. Uma greve de taxistas paralisou a capital do país, com bloqueios pelo centro, e os brasileiros precisaram de escolta para evitar transtornos.

No estádio Hernando Siles, os clichês da Libertadores se empilharam. Estavam todos lá: catimba, provocação, entradas duras, marcas na canela, arbitragem polêmica, policiais com escudos. Todos. E o Santos deu a impressão de que seria engolido por eles.

 

– Não podemos deixar barato, somos humanos. E a gente provoca também – divertiu-se o meia, depois do jogo, enquanto se abaixava protegido pelos escudos dos policiais no caminho até o vestiário. Ouviu novos xingamentos, desta vez dos torcedores.

O 1 a 1 era um sonho. Mas Pedrozo e Vanderlei se encontraram na área santista, o atacante caiu e o juiz marcou. Nos vestiários, o goleiro admitiu um toque, mas disse que o rival deixou a perna quando o santista recolheu os braços. O pesadelo da derrota batia, mais uma vez, à porta.

Escobar pegou a bola. Cleber se aproximou, cochichou alguns "você vai errar" na orelha do adversário. Lucas Veríssimo chutou o chão onde estava a marca do pênalti.

– Foi todo mundo falar com ele. Um chutando o chão, tentando estragar. É normal essa catimba – contou Vanderlei.

Como se quisesse responder às provocações, Escobar escolheu uma espécie de cavadinha. A bola passou por cima do travessão, o placar continuou o mesmo.

Faltavam cinco minutos. A altitude (ou a vontade de fazer o relógio correr) colocava santistas deitados no gramado. Ricardo Oliveira caiu antes: o atacante nem sequer viu o segundo tempo do banco, com dores de cabeça que o fizeram ficar no vestiário com uma máscara de oxigênio.

Fim de jogo, Santos garantido nos mata-matas, na estrada por um inédito tetracampeonato da Libertadores para clubes brasileiros. Os jogadores encheram os pulmões com o que restava de ar e foram ao canto do estádio onde estavam os poucos torcedores alvinegros. Aplaudiram e ouviram aplausos. Os do gramado e os da arquibancada ganharam uma ótima história para contar.

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